Philip K. Dick

Em 1974 após atender à campainha e ver uma menina usando um colar no formato de peixe (símbolo do cristianismo primitivo) a vida de Philip K. Dick mudou. Um raio rosa saiu do peixe e o atingiu no fronte da testa (região onde se localiza o terceiro olho segundo alguns). Tal acontecimento é narrado na excelente HQ “A Experiência Religiosa de Philip K. Dick” escrita e desenhada por Robert Crumb (sim, ele mesmo).

Desde então Philip tem nos agraciado com histórias fantásticas e você ,com certeza,  você viu. Duvida? Então que tal esta pequena lista de obras e contos que foram transformados em filmes:

  • Blade Runner (PT: Blade Runner: Perigo Iminente, BR: Blade Runner: O Caçador de Andróides) (Ridley Scott, 1982), baseado na novela Do Androids Dream of Electric Sheep?
  • Total Recall (PT: Total Recall, BR: O Vingador do Futuro) (Paul Verhoeven, 1990), baseado no conto «We Can Remember It for You Wholesale» (PT: «Recordações por Atacado», BR: «Podemos Recordar para Você, por um Preço Razoável»)
  • Confessions d’un Barjo (BR: Confissões de um Louco) (Jérôme Boivin, 1992), baseado na novela Confessions of a Crap Artist
  • Screamers (BR: Screamers: Assassinos Cibernéticos) (Christian Duguay, 1995), baseado no conto «Second Variety»
  • Impostor (BR: O Impostor) (Gary Fleder, 2002), baseado no conto «Impostor»
  • Minority Report (PT: Relatório Minoritário, BR: Minority Report: A Nova Lei) (Steven Spielberg, 2002), baseado no conto «The Minority Report»
  • Paycheck (PT: Pago para Esquecer, BR: O Pagamento) (John Woo, 2003), baseado na história «Paycheck»
  • A Scanner Darkly (BR: O Homem Duplo) (Richard Linklater, 2006), baseado na novela A Scanner Darkly
  • Next (BR: O Vidente) (Lee Tamahori, 2007), baseado no conto «The Golden Man»
  • The Adjustment Bureau (BR: Agentes do Destino) (George Nolfi, 2011), baseado no conto «The Adjustment Team»

Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip tinha quatro anos de idade. Mudou-se com a mãe para a Califórnia. Matriculou-se na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica.

“Realidade é algo que se recusa em ir embora mesmo quando deixo de acreditar nela.” – Philip K. Dick

Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas.

“A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras. Se você puder controlar o significado das palavras, você pode controlar as pessoas que têm que usar as palavras.” – Philip K. Dick

Seus anos de ativismo no Partido Comunista norte-americano (a existência desse já parece tema de ficção científica para alguns…) que fez dele alvo de investigações do FBI e do Serviço Secreto das Forças Aéreas do EUA. Envolveu-se com filosofias gnósticas e orientais, aliando-as com experiências sensorialisticas regadas com drogas, elementos que aparecem em diversos textos, como VALIS e Três Estigmas de Palmer Eldricht. Em 1974, jurava ser contatando por inteligências alienígenas, em uma visão que misturava séries numéricas, figuras geométricas e ícones religiosos cristãos. Esse contato gerou uma torrente escritural de mais de 8.000 páginas, a maior parte delas inéditas.

“Abuso de drogas não é uma doença, é uma decisão, como a decisão jogar-se em frente a um carro em movimento. Você não chamaria isso uma doença mas um erro de julgamento.” – Philip K. Dick

Se começasse a escrever qualquer história, fosse uma história sobre colônias espaciais, sobre donas de casa regando o jardim ou sobre soldados em guerra, cedo ou tarde estaria falando sobre líderes messiânicos, perda de identidade, a distinção entre homem e máquina.

O editor David Hartwell disse uma vez que qualquer livro de Philip K. Dick pode servir de porta de entrada para sua obra, porque Dick está inteiro em cada um dos seus livros, com a sua maneira única de escrever e a sua visão peculiar da realidade. Dick (1928-1982) foi um escritor obcecado por meia dúzia de temas filosóficos, políticos, científicos.

“Escritores de ficção científica, sinto dizer, realmente não sabem nada. Nós não podemos falar sobre ciência, porque nosso conhecimento dela é limitado e não oficial, e normalmente nossa ficção é terrível.” – Philip K. Dick

Morreu em 1982, antes de ver o frisson de adaptações de suas obras ao cinema. Nos últimos dois anos uma nova leva de filmes e séries já foram lançados e outros foram anunciados: Ridley Scott volta para fazer uma série baseada em O Homem do Castelo Alto, Matt Damon estrelou Os Agentes do Destino, e a Warner Bros. já montou um grande planejamento para retomar a franquia Blade Runner, com novos filmes (prelúdios e continuações – notem o plural) e séries de TV. Sem esquecermos do recall do “Vingador do Futuro” que está em cartaz (o qual já assisti e vou postar alguma coisa no futuro, ok?)


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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