A arte da Trepanação

Já fez uma trepanação? Não sabe o que é? Bom, então vamos adentrar neste papo cabeça (literalmente).  Dentro da medicina moderna, a trepanação consiste na abertura de um ou mais buracos no crânio, através de uma broca neurocirúrgica. Quando realizada de forma única, a trepanação serve para se criar uma abertura por onde se pode drenar um hematoma intracraniano ou se inserir um cateter cerebral.

Em uma craniotomia, várias trepanações são feitas para se criar os vértices de um polígono ósseo que será retirado do crânio. Com o auxílio de uma serra neurocirúrgica, uma linha ligando cada vértice é serrada e o polígono (flap) ósseo do crânio é retirado, liberando o neurocirurgião para abordar a massa encefálica.

A cultura da trepanação esteve presente desde o tempo dos Mesolítico e há cadáveres com sinais de trepanação em praticamente todas as antigas civilizações do mundo. Encontram-se expostos no Museu Geológico, em Lisboa, crânios mesolíticos com sinais de trepanação e com um pequeno sol desenhado em redor do orifício sugerindo uma prática ritual (afinal, se você já modificou o seu crânio por que não personaliza-lo?).

Tal como as sangrias, a trepanação era um procedimento médico muito realizado, com o objetivo de eliminar os maus espíritos e demônios do paciente, mas sem nenhum significado terapêutico prático. A sobrevivência ao procedimento nos séculos antes da Idade Média era de aproximadamente 70%, mas durante os séculos XIV a XVIII caiu praticamente a zero, devido ao pouco cuidado dos realizadores, que acabavam perfurando as meninges do paciente e causando uma hemorragia incontrolável. Há relatos de cirurgias desse porte no Egito e na Mesopotâmia, nas quais o paciente era dopado com uma bebida alcoólica e depois tinha seu crânio aberto por um instrumento pontiagudo.

Bart Huges (1934-), formado em Medicina, que nunca praticou exceto um pouco de auto-cirurgia, acredita que a trepanação é o modo de conseguir uma maior consciência. Ele queria ser psiquiatra mas falhou nos exames de obstetrícia. Pelo menos é o que ele afirma. Em 1965, após anos de experiências com LSD, cannabis e outras drogas, o Dr. Huges compreendeu que o caminho para a iluminação era através de um buraco no crânio. Usou uma perfuradora elétrica, um escapelo e uma agulha hipodérmica (para administrar uma anestesia local). A operação demorou 45 minutos. E como é sentir-se iluminado? “Sinto-me como quando tinha 14 anos,” afirma Huges.

O que levou o dr. Huges (por que diabos fico chamado esse cara de Doutor?) à acreditar que a trepanação leva à iluminação? A primeira pista teve-a quando lhe disseram que podia sentir-se melhor se colocasse um pino sobre a cabeça (???). Ele pensou que aliviando permanentemente a pressão podia aumentar o fluxo de sangue para o cérebro e atingir o seu objetivo. Após um pouco de mescalina, compreendeu o que se passava. “Reconheci que a consciência expandida se devia a um aumento do volume de sangue no cérebro.” Como escapou tal fato a cientistas e místicos durante tantos séculos? Provavelmente porque eles não eram trepanadores de carteirinha, é lógico!!!

No passado, a trepanação era aparentemente usada para aliviar pressão no cérebro causada por traumas, doenças ou libertar espíritos maus. A primeira ainda é aceite como procedimento médico. A ultima morreu nas partes do mundo em que o conhecimento cientifico substituiu crenças nos demónios invasores. Huges conseguiu atrair alguns seguidores que têm buracos nas suas cabeças.

Não existe nenhuma comprovação científica sobre a eficácia da trepanação, no entanto, há os defensores desta prática.


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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