Alan Fonteles, o paraense que superou Oscar Pistorious

Mesmo quem não acompanha o noticiário esportivo conhece ou já ouviu falar do sul-africano Oscar Pistorious. Velocista, ele utiliza duas próteses feitas de carbono no lugar das pernas, e conquistou o direito, após muita luta, de competir além da modalidade paralímpica (sim, é paralímpica agora) e disputar os Jogos de Londres 2012 entre outros grandes nomes do atletismo. Findas as Olimpíadas da capital inglesa, ele entrou na disputa dos Jogos Paralímpicos como estrela máxima da competição.

Mas havia Alan Fonteles, um paraense de Marabá, de 20 anos de idade. Ele teve as pernas amputadas por conta de uma infecção, quando ainda era bebê. Mesmo assim, quando criança tornou-se apaixonado pelo atletismo tanto que, aos 8 anos de idade, começou a correr mesmo contando apenas com próteses de madeira, inadequadas para a prática do esporte. Por meio de um triatleta, Rivaldo Martins, que teve que amputar a perna esquerda devido a um acidente, Fonteles conseguiu, em 2007, próteses especiais para competições. De lá pra cá, várias conquistas, incluindo uma medalha de prata em Pequim 2008, no revezamento 4 X 100.

E chegou o domingo, 2 de setembro. Nas semifinais para os 200 metros rasos, na classe T44, ele já havia batido o recorde mundial com 21s88, mas foi superado por Pistorious na bateria seguinte, com o sul-africano marcando o tempo de 21s30. Hoje, após uma largada ruim como ontem, ele conseguiu uma recuperação inacreditável e venceu o rival, marcando 21s45. Para se ter uma ideia do que significa a marca, os brasileiros que concorreram nas Olimpíadas de Londres nos 200 metros rasos, Bruno Lins e Aldemir da Silva Júnior, conseguiram em suas semifinais 20s55 e 20s63. O vídeo da prova está aqui.

Além de agradecer a Deus, à família e aos torcedores, Alan dedicou, em especial, seu título para duas pessoas: o técnico Amauri Veríssimo e ao “amigo-irmão” Yohansson do Nascimento. Depois teve de falar sobre Pistorius. “Percebi que ele nem falou comigo antes da prova, só deu um oi meio assim”, contou o brasileiro. O velocista admitiu que ficou triste com a reação de seu ídolo. “Eu quero ser amigo de todo mundo.” No entanto, o brasileiro defendeu seu resultado. “Eu estava dentro das regras”, disse em tom sério. “Ele (Pistorius) tem o recorde mundial, mas o que vale no fim é quem chega primeiro.”

Pistorious, derrotado pela primeira vez nos 200 metros, criticou o brasileiro, que ficou mais alto por conta das próteses novas, que estão, aliás, totalmente dentro da regra. Justo ele, que combateu tanto quem argumentou que as próteses lhe davam vantagem sobre atletas considerados “normais”, tentando barrar sua participação em competições que não fossem paralímpicas. E foi seu exemplo que serviu de inspiração para o próprio Fonteles, segundo o brasileiro conta aqui.

O coordenador de atletismo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Ciro Winckler, explicou a questão das próteses. Disse que Alan corria com o mesmo equipamento desde que tinha 16 anos e foi pedido ao Comitê Paralímpico Internacional (CPI) uma readequação do equipamento agora que o atleta completou 20 anos. Ele conta que o tamanho da prótese é determinado pelo estudo do biotipo do atleta e o resultado final foi de que Alan, que tinha 1,76 metro com o equipamento antigo, poderia chegar até 1,85 metro. Mas optou por prótese que o deixa com 1,81 metro.

Não fique chateado, Pistorious. Como você pode ver, esse ouro também é seu, como muitos outros que virão também terão sua marca. Mas hoje a festa também é de Alan Fonteles.


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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