Sylvia Kristel (28/09/52–18/10/2012) – a eterna Emmanuelle

Alta, magra e com um olhar quase transparente, a atriz Sylvia Kristel, que morreu nesta quinta-feira aos 60 anos vítima de um câncer, rodou muitos outros filmes, mas foi uma só, Emmanuelle, personagem que a transformou em um mito erótico mundial nos anos 70.

Era nesta época que a jovem Sylvia, com um olhar entre o inocente e o malicioso, aparecia sentada em uma exótica poltrona de vime e com um colar de pérolas sobre seus seios nus para convidar o espectador aos mais ocultos prazeres.
Nascida em 28 de setembro de 1952 em Utrecht, na Holanda, Sylvia, antes de ser um mito erótico, foi primeiro secretária, Miss Televisão Europeia e modelo de propaganda, profissão que lhe abriu as portas para o cinema, onde estreou com Niet Voor de Poesen, do diretor Fons Rademakers, em 1972.

Posteriormente, vieram outros títulos, mas foi em 1973 – quando o cineasta francês Just Jaeckin lhe ofereceu o grande papel de sua vida, Emmanuelle -, que Sylvia alcançou a fama, a mesma que a devorou como atriz e como mulher com o passar do tempo.

Sylvia Kristel ganhou o papel com facilidade. Ela fez um teste com o diretor do filme, o francês Just Jaeckin. Na conversa, Jaeckin pediu a ela que ficasse nua. “Foi facílimo”, lembraria ela anos depois. Sylvia estava com um vestidinho leve, com alças finas. Empurrou-as para o lado e, inteiramente despida, continuou a conversa com naturalidade. Ganhou o papel e, logo, ganhou o mundo. Nunca mais Sylvia Kristel faria nada remotamente parecido com Emmanuelle. Mas este único momento de grandeza foi tão marcante que assegurou a ela um lugar entre as deusas do cinema.

Considerado um dos filmes pontais do cinema erótico moderno, Emmanuelle batia recordes de bilheteria onde era exibido. Em Paris, por exemplo, o filme se manteve por dez anos ininterruptos em cartaz.
Depois de estrear no cinema erótico, Sylvia gravou com Sigi Rothemund, Alain Robbe-Grillet e Jean-Pierre Mocky, sendo que em 1975, agora com Francis Giacobetti, a atriz foi convidada a protagonizar a primeira sequência de sua bem-sucedida personagem, Emmanuelle II (Emmanuelle: L’antivierge). Mais tarde, a atriz também participaria de filmes com Walerian Borowczyk, Roger Vadim, Claude Chabrol e Francis Girod.

Sem conseguir se desprender do personagem que lhe deu fama, em 1977, Sylvia protagoniza Emmanuelle 3 (Goodbye Emmanuelle), dirigido nesta ocasião por François Leterrier. Neste mesmo ano, a atriz dá vida à infanta Isabel da Espanha no filme O Quinto Mosqueteiro, deKen Annakin.
Em 1979, Sylvia viajou à Espanha para rodar Camas Quentes (1979), de Luigi Zampa, cujo elenco também contava com outros mitos eróticos do momento, como Ursula Andress e Laura Antonelli.

No final desse ano, a atriz holandesa se mudou para Hollywood. Lá, nos Estados Unidos, ela fez várias participações em séries de TV e pequenos papéis em filmes de pouco êxito nas bilheterias. Em 1980, ela participou do filme O Amante de Lady Chatterley, de Just Jaeckinar, sendo que, um ano depois, fez seu primeiro papel de cômico em Express Train, de Salvatore Samperi. Ainda em 1981, Sylvia atuou em Uma Professora Muito Especial, de Alan Myerson, um filme que foi qualificado como pornográfico por várias associações familiares americanas.

Em 1983, Sylvia estrelaria a quarta sequência de Emmanuelle e, três anos depois, se casaria comP.Blot, que a dirigiu no filme Flamenco, rodado em 1987 nos arredores de Madri. No entanto, Emmanuelle não tinha sido esquecida e, entre 1992 e 1993, Sylvia voltou a protagonizar três filmes: A Vingança de Emmanuelle, A Magia de Emmanuelle e O Amor de Emmanuelle.

Em 1995, a atriz resolveu se aventurar no teatro na peça Teu Gato Está Morto, do americano James Kirkwood. Após esta experiência, sua carreira de atriz começa a declinar, como evidencia seu pequeno papel em Perdóname (2001), do polêmico cineasta holandês Cyrus Frisch. Em 2006, Sylvia publicou sua autobiografia, Desnuda (Nue), na qual confessava sua dependência em drogas e álcool. Seis anos depois, quando seu ainda belo rosto não podia ocultar os excessos, a atriz sofreu um derrame cerebral que lhe levou ao hospital, onde ela foi diagnosticada, além disso, com um câncer de garganta, doença que fragilizou muito sua saúde.

Unida desde muito jovem ao escritor Hugo Klaus, teve com ele um filho, Arthur, que nasceu em 1975. Entre 1977 e 1979, Sylvia esteve unida ao ator britânico Ian McShane e, em 1982, se casou secretamente em Las Vegas com o milionário americano Alan Turner, do qual se divorciou pouco antes de voltar à Europa. Em 1986, a atriz holandesa se casou em Paris com o produtor francêsPhilippe Blot.
Nos últimos anos, Sylvia vivia em Amsterdã, na Holanda, onde ocasionalmente expunha suas pinturas.

Abertura e encerramento do filme “Emmanuelle”

Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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