Sonar e seus operadores

O Sonar

O Sonar é instrumento fundamental da guerra anti-submarino. Ele é um dispositivo criado para detectar e localizar objetos submersos na água por meio das ondas sonoras que os alvos refletem ou produzem. O sonar ativo funciona basicamente como o radar, só que usa pulsos sonoros no lugar das ondas de rádio. As ondas de rádio não se propagam sob a água, além de poucos metros.

O pulso do sonar (para ouvir o “ping” do sonar ativo, clique aqui ), é emitido e ao encontrar um obstáculo, retorna ao emissor. Medindo-se o tempo que o “ping” levou para ir e voltar, tem-se como calcular a distância do objeto ecoado com “relativa” precisão. A precisão é “relativa” porque os pulsos do sonar sofrem diversos tipos de atenuação causados pela temperatura, salinidade e pressão da água, que mudam de acordo com as estações do ano, posições geográficas e condições atmosféricas.

O som é uma ondulação mecânica cuja propagação é possível por causa da conexão elástica entre as moléculas. As moléculas nos líquidos estão mais próximas umas das outra do que no ar, porisso a velocidade do som na água é 4,4 vezes maior que no ar. A velocidade exata do som na água é de 1.438m/s, quando a temperatura da água é de 8 graus Celsius.

A velocidade e a direção das ondas sonoras dependem da temperatura, salinidade e profundidade da água. Por exemplo, o aumento da temperatura da água faz com que a velocidade do som seja maior. Quando o som se propaga através de camadas de água de diferentes temperaturas, ocorre o fenômeno da refração, que é o desvio da onda sonora. A refração pode ser negativa (verão) ou positiva (inverno).

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Refração negativa (gráfico acima): durante o verão, a temperatura da água diminui com o aumento da profundidade. A onda sonora se desvia para o fundo do mar. Se submarino está em menor profundidade, perto da superfície, o sonar do navio pode não detectar o submarino.

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Refração positiva (gráficos acima): durante o inverno, a temperatura da água aumenta com a profundidade. As ondas sonoras se curvam para a superfície do mar. Se o submarino está junto à superfície do mar, o sonar do navio pode detectá-lo. A refração positiva torna o alcance do sonar maior.

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As termoclinas (gráfico acima): quando se usa um batitermógrafo, é possível detectar camadas de água onde a temperatura é maior do que a camada mais quente da superfície e que tem logo abaixo dela, uma camada de água mais fria. Quando encontra uma camada de temperatura menor, a onda sonora se curva rapidamente para o fundo. A onda sonora vai para o fundo do mar e torna-se inútil. Se um submarino está submerso na termoclina ou abaixo dela, ele não será capturado pela onda sonora e assim permanecerá indetectado.
Existem normalmente duas camadas de termoclinas no verão. Uma camada fica a cerca de 15 a 20 metros de profundidade, e uma outra em torno de 150 metros de profundidade. A de profundidade de 15 a 20 metros é importante, porque durante o verão, à tarde, se as condições climáticas são boas, um submarino não pode ser detectado por um sonar de casco de navio.
Ao mesmo tempo, essa profundidade é boa para observação e lançamento de torpedos. Se um navio de superfície pretende detectar um submarino, ele terá de ser equipado com sonar rebocado de profundidade variável (VDS). Nesse caso, o sonar deve ser mergulhado abaixo da termoclina.

Operadores de Sonar: o início de tudo

A história dos OS inicia-se com a Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, executaram o seu serviço, guarnecendo os Camarins de Som dos navios-escoltas dos comboios aliados, quando se evidenciou a necessidade de uma especialização profissional sólida que respondesse contra a ameaça que tomou proporções temíveis, o submarino. A 22 de agosto de 1942, o Brasil entrava em estado de beligerância contra a Alemanha, com a certeza de que seriam enfrentados submarinos experientes e muito eficientes até então. Naquele momento, iniciavam-se, para a MB, tarefas difíceis. A primeira e mais importante de todas elas consistia no treinamento do pessoal. Foram improvisados locais para treinamento, como por exemplo, um velho silo de algodão na Base Naval de Natal, que serviu como ponto de reunião e treinamento para 600 homens, a maioria deles pescadores, os mais preparados para a vida no mar.

A campanha submarina irrestrita, ao longo de nossa costa, conduzida pelas forças alemãs, nos colocava numa situação grave, posto que as técnicas, as táticas e os equipamentos propriados à guerra A/S e à proteção de comboios nos eram inteiramente novos. Para obter nivelamento à capacidade ofensiva neste ambiente da guerra naval, uma série de acordos diplomáticos com os EUA foram firmados, tendo como consequência a cessão de meios de superfície ao Brasil. Com sede em Miami, a Comissão de Recebimento de Caças foi estabelecida, tendo como seu comandante o Capitão-de-Fragata Harold Reuben Cox. Destaca-se a tarefa que consistia na seleção dos oficiais e praças que receberiam instruções nas escolas norteamericanas, visando à formação das guarnições básicas dos caças-submarinos e, posteriormente, dos contratorpedeirosde-escolta.

Escola de Som de Key West

Desta forma, foi matriculado na Fleet Sound, a Escola de Som da Esquadra, localizada em Key West, no estado da Flórida, o Capitão-Tenente Luiz Octávio Brasil, oficial pioneiro da Guerra A/S na MB. Suas contribuições a bordo de nossos navios, utilizando os ensinamentos obtidos durante o curso, foram tão significativas para o cumprimento das missões que, logo em seguida, decidiu-se enviar para esta escola uma turma completa, composta por seis oficiais e doze praças. Estes praças possuem a honra de constituírem a primeira turma de OS da nossa Marinha.
A Escola de Som era um centro de treinamento destinado ao desenvolvimento e ao ensino de técnicas e táticas A/S. Seus currículos eram atualizados de forma altamente dinâmica, contando com insumos preciosos trazidos diretamente dos elementos operativos envolvidos em missões no mar, e de conferências envolvendo os comandantes de escoltas no Atlântico e os submarinistas no Pacífico. Estas informações também enriqueciam as páginas da Anti-submarine Warfare Bulletin, publicação periódica da escola, na qual eram registrados e analisados os acontecimentos das frentes de batalha. Esta escola tornou-se, assim, um centro de excelência, contando com alunos de diversas nacionalidades aliadas, até mesmo ingleses, até então, vanguardistas de novas técnicas.

O Presente

Seguindo os passos de sucesso de nossos antecessores, o CAAML continua a formar diversas gerações de OS. Atualmente, o currículo, recentemente revisto, contempla uma carga horária de 2.380 horas, ministrados em um período de oito meses. O curso envolve um esforço constante em solidificar uma ação educativa que responda com uma formação altamente profissional, e que satisfaça as necessidades de nossa Força Naval, responsável pela segurança no mar de nosso país, que conta com 96% do comércio exterior trafegando
pelas linhas marítimas, e com a exploração diária de grande volume de petróleo.
O trabalho silencioso do CAAML, porém constante, no processo de preparação dos OS, exige um grau cada vez maior de planejamento pedagógico que visa promover o completo aprendizado por parte do educando. Busca, também, o desenvolvimento de uma nova mentalidade operativa, em um futuro próximo, do submarino brasileiro de propulsão nuclear, que demandará currículos escolares ainda mais exigentes, tanto na formação profissional quanto na estruturação moral dos futuros especialistas e aperfeiçoados.
Devemos prestar as devidas homenagens aos primeiros “sonazeiros”, homens que, frente às incertezas de uma guerra, com as suas ações e atitudes, ajudaram a forjar o caráter dos operadores de sonar do presente. Homens que, com sua vigilância incansável e com a confiabilidade de suas informações, em uma guerra de nuances tão complexas, ajudam a garantir nossa soberania no mar. Por tudo isso, o profundo senso patriótico herdado desses militares, nossos antecessores, é um elo que faz fundir o passado e o presente de profissionais que jamais se rendem às adversidades, sempre cumprindo sua missão.


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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