A Arquearia no Exército Inglês Medieval

Antes da Guerra dos Cem Anos:

A cavalaria foi durante muito tempo uma das armas de guerra mais poderosas, especialmente na Antiguidade, onde boas cavalarias poderiam deliberar batalhas em poucas horas, ou até mesmo minutos. Contudo, havia uma arma de guerra, muito antiga por sinal, que era muito eficiente contra as hostes montadas: o arco e flecha.

É sabido que a arquearia sempre foi uma arma de guerra poderosíssima e teve participações espetaculares em batalhas praticamente irreversíveis. O grande exemplo da antiguidade é a Batalha de Termópilas, onde os trezentos espartanos aliados a mil guerreiros téspios resistiram com bravura aos ataques dos persas, até que Xerxes alinhou vários arqueiros ao redor do exército de hoplitas que foram dizimados pelas flechas.

Na cultura greco-romana o arco era tratado como a arma dos covardes já que não exigia do arqueiro um contato direto com o inimigo, podendo matá-lo à distância. Na Idade Média essa mesma ideia permaneceu, apesar de os arqueiros terem participado, e muito, das batalhas, guerras e cerco a castelos; embora fossem considerados guerreiros sem honra. Em contrapartida, a cavalaria era destacada como arma da nobreza e da elite, sendo uma verdadeira honraria fazer parte dela. Para a nobreza o arco não passava de um instrumento de caça e lazer.

Entretanto, o arco foi crucial na divisão do período medieval, marcando a transição entre a Alta e Baixa Idade Média. Com base neste fato, destacar-se-á sua importância na Guerra dos Cem Anos (1337 – 1453), amargada entre os reinos inglês e francês, mas que recebeu a participação de outros reinos europeus, como o da Escócia, de Castela, Portugal, entre outros, com participações mais esporádicas. No âmbito deste conflito mudanças significativas na estrutura e na técnica militar de ambos os reinos demarcaram uma transição no campo de batalha. Tal mudança seria a formação de um exército composto basicamente por arqueiros, sendo os ingleses os precursores nessa técnica.

Aqui, nesta postagem, nos ateremos aos aspectos históricos através da análise de duas grandes batalhas do período: a batalha de Crécy (1347) e Aljubarrota (1385), já que estas representam bem o aspecto transicional.
A primeira das batalhas ocorreu em território francês e foi a primeira em que os ingleses detendo de um exército, cujo mais da metade era composto de arqueiros, saiu vitorioso. Já a segunda ocorreu entre os reinos ibéricos de Portugal e Castela, mas que obteve grande participação dos ingleses (aliados aos portugueses) e franceses (aliados aos castelhanos).
Frisando o contexto militar, foi a primeira grande derrota da aclamada cavalaria medieval a batalha de Courtrai (1302), onde a cavalaria francesa lutaria com a infantaria flamenga armada de lanças, isso dava grande margem de vitória aos franceses, mesmo estes estando restritos a uma área entre um rio e o exército inimigo. Como tática os guerreiros opositores cavaram trincheiras e buracos para diminuir a eficácia dos cavaleiros que se viam impossibilitados de atacar diretamente.

Após uma troca de tiros de besta e arco, os franceses investiram com a cavalaria e tentaram atacar pelas laterais, uma tática clássica para destruir os flancos de infantes flamengos. Foi então que se sucedeu o esperado pelos seus inimigos: os cavalos caíram nos fossos e rapidamente eram mortos pelas lanças flamengas.

Outra questão incomum ocorreu: os cavaleiros franceses esperavam ser feitos prisioneiros, como dizia o código de cavalaria quando se derrotava o exército inimigo (além disso, matar nobres não era lucrativo, pois resgates valiam muito). Contudo, os flamengos receberam ordens de não perderem tempo com prisioneiros: assim um extermínio de franceses se deu em Courtai.

Inicialmente pode parecer estranho, mas na Idade Média, especialmente no auge da cavalaria, era comum o preceito de fazer prisioneiros e não matar o inimigo, seria a vitória limpa, voltada para a habilidade de manejar as armas e não pela morte, a “guerre guérreable”. No entanto, isso só servia para a nobreza montada; os peões e guerreiros “sem valor” eram mortos sem piedade. Deste modo, a honra de um cavaleiro estava na sua capacidade e habilidade de derrotar inimigos e nas recompensas recebidas por isso. Matar não era uma atitude nobre de um cavaleiro.

Já no século XIV, o conceito de “guerre guérreable” transforma-se em “guerre mortelle”, onde valores flamengos e celtas são incorporados às batalhas, ou seja, não importa o destino dos inimigos, o importante é sair vitorioso. Neste novo contexto, o arco tornava-se a arma por excelência, já que em uma saraivada de flechas não haviam alvos certos e o mais importante era o número de vítimas. Porém, vale lembrar que as capturas de inimigos e prisioneiros não fora extinta, mas deixou de ser algo de grande importância.

Mesmo diante de um código que propunha o combate corpo a corpo, o arco não deixou de ser utilizado nas guerras e os ingleses foram categóricos no que se trata em arquearia de guerra. Contudo quem inseriu o longbow, ou arco-longo, na cultura Medieval do ocidente foram os galeses, um povo típico da Bretanha, onde hoje se situa o País de Gales.

É bom ressaltar que mesmo após a Batalha de Hastings em 1066, cuja influencia franco-normanda em terras britânicas foi enorme, a cavalaria (tida como base militar destes últimos) não foi bem sucedida, haja vista a geomorfologia irregular da ilha que é caracterizada, por montanhas e colinas, onde a cavalaria não se saia muito bem. Dessa maneira, os galeses permaneceram durante bom tempo intactos em termos culturais e militares, até que no século XIII foram derrotados e assimilados pelo rei Eduardo I, que através da estratégia de construção de castelos em locais especiais do território inglês, pode dar uma boa utilidade aos arqueiros e seus arco-longos.

O maior destaque do longbow inglês se dá no seu alcance, sendo muito maior que o de arcos comuns e de bestas. Possuía entre de 150 e 170 centímetros e era feito de teixo o que lhe conferia uma boa potencia e uma longo alcance. Como destaca Saccomori (2011) em comparação “(…) aos besteiros, um arqueiro exigia treinamento de anos que lhe daria uma condição física e óssea diferenciada e a força suficiente para levantar um homem ao retesar o arco, mas também sua investida era mais eficaz que as bestas”. Desde então, o arco galês passou a ser o arco inglês e posteriormente a pedra na bota dos franceses.

Com o arco-longo já fazendo parte arsenal inglês, nada melhor que uma guerra para testá-lo. Foi então que durante o século XIV na guerra Anglo-Escocesa que a nova arma foi utilizada em grande escala. Os reis da Escócia, família Bruce, eram de origem inglesa e detinham um considerável número de cavaleiros em suas legiões, mas sua tática de batalha era geralmente embasada nos schyltrons, uma espécie de organização circular de infantes armados de lanças, machado e escudos. Na batalha de Bannockburn (1314), a primeira da guerra anglo-escocesa, os ingleses saíram derrotados e isso é atribuído à desprezível gerência das tropas de  Eduardo II que deixou seus barões administrarem a situação e atacaram as tropas escocesas com unidades de cavalaria desunidas e desorganizadas, o que impediu as chuvas de flechas dos arqueiros galeses, já que estes podiam acertar os cavaleiros aliados. Esses por sua vez, caíram nas armadilhas instaladas pelos escoceses: estacas, fossos e trincheiras.

Essa batalha demonstrou mais uma vez aos reis medievais que a cavalaria, a arma mais valorizada do ocidente, estava sendo derrotada, assim como ocorrera com os franceses em Courtrai. Isso mostrou que posturas defensivas e armadilhas eram meios eficazes contra a cavalaria e nesse sentido era preciso inovar as táticas no campo de batalha.

Com Eduardo III a situação foi diferente. Após assumir o trono uma revolta ocorre na Escócia, sendo que a vitória uma das facções revoltosas era de muito interesse da coroa inglesa. Foi então que Eduardo III enviou seu exército para Dupplin Moor (1332), mas dessa vez haviam muito mais arqueiros e eles estavam organizados em flancos, o que conferiu vitória às tropas inglesas. Não só as mortes foram os resultados da guerra, mas um extremo estado de pânico entre os guerreiros escoceses já que os mesmos não usavam elmos e muitos morreram com tiros na cabeça. No fim, ingleses e seus aliados escoceses saíram vitoriosos.

Assim, Dupplin Moor foi a prova que os ingleses precisavam para mudar suas táticas e desde então adquiriram uma forma de batalha defensiva e com hostes a pé, armadas de arcos-longos. Um aspecto interessante é que a partir desta batalha os exércitos ingleses passaram a ter mais arqueiros que homens de armas (cavaleiros e infantes), isto foi muito útil durante principalmente na técnica conhecida como volley de flechas, na qual todos os arqueiros atiravam juntos, causando uma verdadeira chuva de flechas. Geralmente, o número de arqueiros estava em torno de 3 e 6 mil homens, o que sugere o tamanho do dano causado ao exército inimigo após cada volley dado pelos mesmos. Além dos danos físicos os danos morais, especialmente o medo e o pânico causado aos soldados.

Outra batalha importante e que os arqueiros fizeram a diferença foi a de Hallidon Hill (1333), onde mais uma vez ingleses e franceses se enfrentaram. Desta vez três batalhões de homens armados atacavam protegidos lateralmente pelos arqueiros. Mais uma vez os ingleses saíram vitoriosos e uma nova tática de guerra estava consolidada.

Durante a Guerra dos Cem Anos:

Acredita-se que o ódio existente os reinos da Inglaterra e França durante a Idade Média se deu após o casamento de Eleanor da Aquitânia com Henrique II, em 1152. Com este matrimônio diversas regiões francesas passaram para mãos inglesas, ainda que fossem prestadas homenagens por parte do rei inglês ao francês, pelas terras. Porém essas posses significavam uma ameaça à hegemonia francesa. Ao longo da história, apenas a região da Aquitânia sobrou aos ingleses, graças às conquistas das terras realizadas pelos franceses. Então em 1337, por desobediência a Eduardo III, Felipe VI confisca as terras da Aquitânia.

Além de tudo, Eduardo III era neto, por parte de mãe, do rei francês Felipe IV, sendo que este ultimo não possuía filhos homens vivos, seu irmão – Carlos de Valois – seria o herdeiro do trono. Entretanto, Eduardo III sentia que também possuía direito ao trono Francês, já que era neto do rei. Mesmo que não fosse algo ilegal, o fato de passar o trono para a
linhagem de uma mulher seria inconcebível.

Um trecho escrito por Jean Froissart diz o seguinte: “Em 1336, enquanto o rei da França, ‘mui católico e fortíssimo campeão da fé cristã’, reunia uma frota em Marselha para singar ruma à Terra Santa, Eduardo III intrigava em Flandres, tentando conquistar as cidades têxteis. E quando o ducado de Guiena (Aquitânia) foi-lhe novamente confiscado, em razão dessa traição, ele afirmou seus direitos, tomando em 1337 o brasão da França”. Desde então, a guerra estava armada e os campos de batalha seriam banhados de sangue francês e inglês.

Para começar a discutir sobre a guerra secular entre os reinos supracitados, iremos utilizar a Batalha de Crécy, Poitiers Nájera, Aljubarrota e Agincourt.

a) A Batalha de Crécy

A Batalha de Crécy tem início em 26 de agosto de 1346 e foi o primeiro grande embate da Guerra dos Cem anos, entre os exércitos de Eduardo III (Inglaterra) e Felipe VI, filho de Carlos de Valois, da França.  A primeira incursão foi dada por Eduardo à Normandia francesa, cujo objetivo era realizar um saque e retornar à Bretanha. Contudo, o ataque causou alvoroço entre a população local o que alertou os cavaleiros franceses que sob o comando de Filipe foram ao encontro dos homens de Eduardo III. Mas o confronto era evitado, até que pudessem armar uma cilada.

O número de guerreiros franceses era quase o triplo de ingleses, cerca de 40000 para 12000, respectivamente. Estes últimos, em desvantagem numérica optaram por uma posição defensiva em uma área mais elevada, onde puseram em formação três batalhões com as alas na dianteira e preenchidas por arqueiros, enquanto outros dois grupos de arqueiros instalavam-se entre o batalhão central. No total, quatro hostes arqueiras.

O primeiro ataque foi dado pelos franceses que mandaram seus besteiros genoveses atacarem, mas abortaram e voltaram, isso causou enraiveceu os nobres da cavalaria que atropelaram os besteiros e foram para cima dos ingleses. Logo atrás estava a infantaria que seguindo os passes dos cavaleiros, deixando-os encurralados entre a faixa de alcance dos tiros dos ingleses. Como bons estrategistas, os ingleses usaram com maestria seus arqueiros e dizimaram as forças francesas. Felipe VI vendo sua derrota inevitável, fugiu em retirada com suas hostes.

Quantos as consequências da batalha, houveram mais danos psicológicos do que materiais, especialmente para os ingleses, que só conquistaram a cidade portuária de Calais, mas pelo menos mostraram aos franceses sua nova força, a arquearia. Vale ressaltar que apesar da vitória, os ingleses ficaram um tanto assustados com as bestas genovesas que eram poderosíssimas. Para os franceses os danos foram múltiplos, tanto materiais quanto psicológicos. Perderam uma cidade, muitos homens e ficaram apavorados com as saraivadas de flechas.

Durante o confronto, os cavaleiros franceses, ao tomarem a dianteira foram alvos fáceis para as flechas e quando não morriam por elas, ficavam ao definhar sobre o lombo dos cavalos que alvoroçados disparavam a pular e correr quebrando a formação e uma possível investida contra os guerreiros de Eduardo III. Deste modo, com a cavalaria desorganizada, os franceses tornavam-se alvos fáceis para os infantes e cavaleiros ingleses, ou até mesmo para os arqueiros que deixavam os arcos de lado e sacavam suas espadas para o combate.  Os genoveses ao fugirem contribuíram para a desorganização dos flancos franceses. E mais uma vez a cavalaria estava derrotada diante da arquearia e infantaria.

b) A Batalha de Poitier (1356)

Dez anos após Crécy, os ingleses, desta vez comandados por Eduardo Príncipe Negro, filho de Eduardo III, voltaram às terras francesas e realizaram uma marcha pela região, saqueando tudo que viam pela frente. E mais uma vez os franceses foram ao encontro dos seus inimigos, porém desta vez já sabia do perigo das flechas. Agora os primeiros a enfrentar os ingleses seriam os homens desmontados, especialmente infantes pobres e peões, enquanto dois grupos de cavaleiros iriam pelas alas distraindo os arqueiros. Já os ingleses se posicionaram da mesma maneira que fizeram em Crécy, sendo desta vez rodeados por florestas. A vanguarda era chefiada por uma cavalaria sob as ordens do Príncipe Negro. 

Mais uma vez a arquearia inglesa renderia uma vitória, pois eles danificaram demasiadamente a cavalaria francesa que estava nas alas e esta, por sua vez, retardou a movimentação do batalhão central. O príncipe Carlo V, vendo que sua tentativa de ataque não prestara em nada, saiu em retirada. O segundo batalhão francês foi atacado e dizimado pelos guerreiros do príncipe inglês. Porém desta vez um fato muito importante ocorreu: diversos de capturas foram feitas, incluindo nos prisioneiros o rei francês João, o Bom, que cederia aos ingleses uma gorda quantia pelo resgate.

c) A batalha de Nájera

Nájera foi uma batalha bem diferente das duas supracitadas, pois ocorreu em um contexto politico-militar diferente, no qual Inglaterra e França estava sob um tratado de paz – o tratado de Bratigny (1360).

Contudo, o desgosto entre os reinos permanecia, tendo influencia até na crise real de Castela, onde Henrique de Trastâmara disputava o trono com seu irmão Pedro I, o cruel. Este primeiro refugiou-se na França, onde arrumou uma aliança militar com o a coroa francesa (Carlos V) que enviou tropas sob o comando de Du Guesclin. Pedro I, por sua vez, fica sabendo do retorno de Henrique com o exército francês e vai ao encontro das forças inglesas em Aquitânia e pede ajuda ao Príncipe Negro.

Prestes a começar a batalha, os franceses tentam persuadir Henrique, incentivando-o a desistir da batalha, pois estes já haviam perdido muitas delas para os ingleses. Além disso, os castelhanos não estavam acostumados a lutar como os britânicos, mas sim com os mouros. Porém Henrique recusa a desistência, pois seria péssimo para seu renome.

O confronto estava armado. Contudo, desta vez ambos os exércitos tomaram posições ofensivas, haja vista não haver qualquer ponto do relevo onde pudessem estabelecer defesa. Deste modo, até mesmo os ingleses tiveram de lutar na ofensiva, já que não haviam fatores geográficos ao seu favor. Assim, ambos os exércitos avançaram uns sobre os outros.

As tropas inglesas investiram a pé, enquanto Henrique e os franceses atacavam com uma infantaria central auxiliada pela cavalaria que estava nas alas. Citando Froissart, não se sabe ao certo o que houve, mas é certo que o conde Don Telo se desesperou ao ver as chuvas de flechas inglesas e fugiu. Com isso, o exército francês ficou desfalcado e rapidamente caiu diante dos guerreiros anglo-castelhanos.

Segundo Saccomori (2011), esta batalha estabeleceu dois pontos de destaque. O primeiro seria que os franceses mais uma vez aprenderam a tomar cuidado com os ataques ingleses, tendo até mesmo adotado armaduras mais resistentes aos tiros de flechas. E o segundo, foi a primeira derrota espanhola para os ingleses, haja vista que esses possuíam uma forma de
combate análoga à francesa. Desta forma, a Espanha foi palco do início da crise da cavalaria nos combates medievais.

Embora tenha saído vitorioso, Pedro I não conseguiu pagar pela assistência britânica, sendo posteriormente esquecido por seus coligados políticos, fato que contribuiu para uma investida de Henrique que tomou o trono sob o título de Henrique II.

d) A Batalha de Aljubarrota (1385)

O rei de Portugal, Dom Fernando, interferiu no reino de Castela sob a condição de candidato ao trono de Pedro I. Porém com sua morte em 1383, um cerco foi realizado em Lisboa, e após certo tempo acabaram por desistir da cidade, já que a peste negra estava a assolar os soldados castelhanos. Com auxílio de nobres, o trono foi entregue a D. João I, o antigo Mestre de Avis, que seria o novo líder das forças portuguesas contra as castelhanas.

Diversas vezes D. João I comandou as tropas portuguesas em batalhas para tomar castelos e ataques a regiões consideradas ameaçadoras ao reino português. Duas batalhas de pequenas proporções, mas de resultados importantes foram a de Atoleiros e de Trancoso, sendo que em ambas os castelhanos foram derrotados. Em Trancoso, Castela perdeu os melhores homens de seu exército e compunham um grupo de elite formado pelo rei Juan I. Após tais batalhas, seguiu-se uma bem maior e de resultados mais significativos: Aljubarrota.

Portugal mais uma vez aliou-se ao reino Inglês, e dele recebeu alguns arqueiros como auxílio de para guerra. Aderindo à estratégia inglesa os portugueses alinharam suas hostes entre dois rios e em uma elevação do terreno, onde suas alas não poderia ser atacadas pelos flancos. Sob o comando dos homens dos arcos, os portugueses instalaram diversos buracos e estacas ao redor da elevação, de modo a dificultar o avanço da cavalaria de castelhana.

As tropas Castela, receberam ajuda dos reinos de Aragão e da França, que pretendiam atacar as forças anglo-portuguesas com sua cavalaria. A hoste central do exército franco-castelhano seguiria no combate a pé, acompanhados pelos cavaleiros nas alas.

A princípio os castelhanos avançaram com sucesso e envolveram os portugueses rapidamente. Uma tropa a cavalo ainda conseguiu atacar pela retaguarda os homens do exército português. Contudo, estes últimos seguiram na luta, já que não havia como fugir. E além de tudo, conseguiram neutralizar o excedente numérico do exército inimigo. Obviamente os 700 “longbow” enviados pela Inglaterra foram decisivos na batalha, contribuindo até mesmo para a virada dos portugueses que, inclusive, saíram vitoriosos.

O mais interessante é que Aljubarrota durou duas míseras horas, mas suas consequências foram uma catástrofe para Castela que desde então ficaria amedrontada em batalhar em campo aberto com as tropas portuguesas e inglesas. Quanto a Portugal, numa perspectiva militar, saiu fortalecido e politicamente superior, além de ter formado uma aliança com os ingleses que duraria muitos séculos.

e) A Batalha de Agincourt (1415)

Trinta anos já haviam se passado desde a última grande derrota francesa Aljubarrota e desta vez os problemas se localizam em território inglês, onde uma crise na sucessão ocorre após Ricardo II, filho do Príncipe Negro, ser deposto pelo primo Henrique de Lancaster sob a denúncia de péssima administração. O filho deste último, Henrique V, renova a ideia do direito ao trono francês, já que as últimas incursões francesas vinham com o objetivo de tomar de volta as terras perdidas no Tratado de Bretigny. A Guerra dos Cem anos recomeçava.

Henrique V organizou uma investida para retomar os postos na Normandia e inicia pela capitulação da cidade portuária de Harfleur. Porém o cerco dessa cidade não fora nada fácil e lhe causou muitos danos, já que sua tropa foi atacada por uma série de infecções disentéricas. Com as tropas enfraquecidas ele resolve desistir de uma longa incursão, e propôs um retorno à Inglaterra através do porto de Calais, que estava sob domínio inglês. Os franceses sabendo da presença inglesa, organizam alguns grupos armados para ataca-los durante o retorno. Diversos embates ocorreram durante a viagem de volta, mas todos se restringiam a pequenos combates.

O modo de batalha de Henrique V era muito semelhante àquele usado por Eduardo III e pelo Príncipe Negro – três batalhões com as alas de arqueiros avançadas. Por outro lado, o exército francês se organizou em três batalhões, dos quais o primeiro era destinado aos nobres, a vanguarda, que no tal código de cavalaria ainda era uma posição honrada.

A tentativa francesa de mais uma ver lutar contra os ingleses pode ser explicada pela Batalha de Roosebecke, onde a cavalaria venceu, após diversas derrotas, uma batalha contra um grupo de rebeldes flamengos. Tal vitória engrandeceu o orgulho francês que “esqueceu” a derrota em Courtrai há mais de cem anos. Além disso, os franceses se deram o trabalho de melhorar suas armaduras para que se tornassem mais resistentes às flechas. Isto realmente ocorreu, mas em compensação os cavaleiros estavam pesados demais e tinham dificuldade de movimentação. Já os arqueiros ingleses, com roupas leves, destacaram-se pela agilidade e rapidez nos ataques, sendo que ainda estava protegidos da cavalaria pelas armadilhas.

Pode-se dizer que mesmo diante de ataques ineficazes os franceses temiam as chuvas de flechas, já que estas espantavam os cavalos e rebatiam nas placas de metal das armaduras reforçadas causando ansiedade e medo nos guerreiros. No caso inglês, o cansaço, as infecções e o número inferior de soldados provavelmente foram movidos pela presença do seu rei em campo de batalha, além de um histórico preenchido de vitórias. Enquanto os franceses amargavam diversas derrotas e eram comandados por um grupo independente de cavaleiros, já que o rei não comparecera para o embate.

As tropas a pé francesas tiveram seu ataque lesado pelo terreno enlameado, pela chuva e pelas saraivadas de flechas dos ingleses. Aqueles que caíssem ainda vivos, morreria pisoteados pelos cavalos ou mesmo pelas linhas de soldados que vinham logo atrás. Quando os franceses finalmente alcançaram as tropas inglesas, foram massacrados pelos arqueiros, que deixaram seus arcos de lado e agilmente utilizaram armas de curto alcance. O final mais uma vez se repetiria: os ingleses eram os vitoriosos. Dessa vez a cavalaria francesa sofrera uma derrota tão grande que não haveria outra opção a não ser mudar as táticas de guerra de uma vez por todas.


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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