Respiração

Alguns estudos mostram que quando nascemos, respiramos de forma correta e vamos desaprendendo ao longo do crescimento, até hoje não se sabe em que fase e nem porque isso ocorre.

Na tradição do Budô, dentre as artes marciais japonesas, se considera que o “Kiai” (espécie de vocalização utilizada geralmente durante golpes traumáticos), aumenta a potência do indivíduo na execução de um golpe ou técnica. Quando utilizado corretamente, conecta os elementos físicos e mentais de uma técnica, e serve tanto para ações defensivas como ofensivas. O significado do próprio termo denota um conceito de um sistema unificado ou integrado ( “ai”) espírito ou mente (” ki “). O controle da respiração é parte integrante de sua execução.

Por incrível que pareça, essas vocalizações durante a expiração tem raízes longínquas nas lutas. A preconização do “Kiai” é: enquanto expirar fortemente (exalando ar) se deve contrair fortemente os músculos abdominais e o diafragma. Quem é que nunca sentiu aquela dor na lateral da região abdominal? Essa dor (cujo apelido é politicamente incorreto demais para ser escrito aqui) é resultado de respiração errada e costuma ocorrer quando inspiramos de forma eficiente e expiramos de forma errada. Sim, neste caso, o erro ocorre ao soltar o ar. Por isso muitas vezes vemos corredores bufando para forçar a saída do ar.

Sugere-se que, defensivamente, a expiração previna de um nocaute e a contração muscular ajude a proteger órgãos internos. Como ataque ofensivo, pode assustar ou distrair por milésimos de segundos o adversário. Além disso, enquanto a musculatura da região central do corpo estiver contraída, será fortalecida a cadeia cinética, aumentando a potência do golpe. Assim, acompanhando o “Kiai” ou “Kihap” vem uma condição adicional de energia e fortalecimento físico e mental, e não somente mera vocalização durante um golpe.
Outra vantagem simples, é que o indivíduo lembra de respirar. Isso por si já é uma ferramenta valiosa para o lutador. Quando um iniciante, por exemplo, realiza seu primeiro sparring, é comum prender a respiração e tensionar os músculos. É uma espécie de reação natural, mas pode se tornar mau hábito.

Os músculos precisam de oxigênio para funcionar corretamente. Uma contração muscular necessita, óbvio, de mais oxigênio. Seu corpo começa a maioria das atividades com o oxigênio do ar que você inala. Se você não estiver inalando, não estará fornecendo fonte constante de oxigênio para os músculos ou a outros órgãos vitais que necessitam dele como o cérebro e os olhos. Isso demanda maior utilização de oxigênio e, finalmente, faz com que o corpo e a mente não trabalhem tão bem como deveriam.

Prender a respiração por muito tempo também pode elevar a pressão arterial e causar vertigem. Ainda, seus músculos “cansam” mais rapidamente. O resultado é que o indivíduo fica sem fôlego em curto período.

O ideal é que o ar seja inspirado pelo nariz, porque o ar entrará filtrado, umidificado e aquecido. Existem uma série de malefícios que extrapolam as fronteiras da atividade física ao se respirar pela boca. Em situações extremas você pode até respirar pela boca, mas saiba que a regra para um bom rendimento e bom condicionamento físico manda inspirar pelo nariz.

O ritmo da respiração também pode fazer a diferença em alguns exercícios. Um dos maiores “problemas respiratórios” durante o treino, ocorre nos exercícios abdominais. Além de “esquecer de respirar”, muitas pessoas respiram de forma descompassada, prejudicando seu rendimento. O ideal é que EXPIRE durante a subida e se INSPIRE durante a descida. Vamos entender porque.  Primeiro que ao expirar fazemos uma contração abdominal importante para potencializar o resultado do exercício na parte da subida, segundo porque quando o corpo se eleva a caixa torácica se comprime, tornando mais difícil a respiração. Se você tentar inspirar na subida de um abdominal, vai causar uma compressão  maior na caixa torácica que, dependendo da intensidade, pode acarretar até alguns problemas de circulação a longo prazo. Melhor não arriscar.

Para você ter uma idéia do tamanho do problema, exercícios abdominais mal feitos podem causar até mesmo varizes. Isso mesmo, um exercício onde não há solicitação da musculatura das pernas pode causar varizes. Acompanhe a explicação: se você não solta o ar durante a contração abdominal, durante a elevação do tronco o ar exercerá uma pressão intra-abdominal, o que acabará por dificultar o retorno venoso. Pronto, está feito o estrago. E isto não vale apenas para exercícios abdominais.

Outro momento respiratório complicado ocorre quando o aluno tem que levantar algum peso relativamente pesado. A tendência natural é prender a respiração como conseqüência do esforço. Isto é um erro, pois prender o ar pode acabar causando uma pressão na área onde está localizado o coração, contribuindo, a longo prazo, para hipertensão arterial. Por isso, sempre que for contrair o músculo, EXPIRE, solte o ar. Se a carga utilizada dificultar uma respiração adequada, existem chances de que o exercício, a longo prazo, contribua para o surgimento de problemas circulatórios. É preferível reduzir a carga e preservar a respiração correta. Não faça essa cara, reduzir a carga não é vergonha. Já vimos aqui que o resultado nem sempre depende do peso com o qual se faz o exercício…

Atleta de Jiu-Jítsu e MMA, Ricardo Arona tem opinião formada sobre o tema: “em situação mais complicada como um knock-down, melhor coisa a fazer é se fechar defensivamente e respirar bem para restabelecer o equilíbrio no combate.” O fato é que você tem de saber respirar.

Recomendações Práticas

1) Para relaxar, se restabelecer de situação complicada e/ou evitar desperdício de energia pelo fator emocional: inalar (inspirar) por quatro segundos, segurar (apnéia) por quatro segundos e expirar (exalar) por quatro segundos e, logo após, respirar normalmente. Esta técnica ajudará a manter a freqüência cardíaca sob controle (também reduz a ansiedade).

2) Durante situação extrema de um combate em que o atleta precisa de mais foco e concentração e/ou potência no golpe: No lugar de respirações longas e profundas, executar uma série regular de expirações (ou exalações) pela boca no momento de um impacto, seguida imediatamente por uma acentuada inspiração (ou inalação) pelo nariz. Há muitas maneiras de respirar “corretamente” e muitos usos para diferentes técnicas de respiração e exercícios. Nesta, a coisa mais importante é não prender a respiração, para ter um padrão regular de inalação (por intermédio do nariz) e expirar (pela boca).


Sobre reitigre

Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Poderiam moldar tão temível simetria? Em que distante profundezas ou céus Queimam o fogo dos teus olhos? Em que asas veio essa chama? Que mãos ousam tocar nesse fogo? E qual ombro e qual arte? Poderia mudar as fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés? Qual martelo? Qual corrente? Em que fornalha estava teu cérebro? Que bigorna? Que terrível abraço Ousou conter teu horrível terror? E quando as estrelas desferiram seus raios, e inundaram os céus com as lágrimas delas, Ele sorriu por Seu trabalho ver? Aquele que criou o cordeiro também Te fez? Tigre, tigre, brilho incandescente dentro das florestas à noite Que imortais mãos ou olhos Ousaram moldar tão temível simetria?
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